“Não é que eu seja indiferente à beleza, ou ignore o poder do amor humano, mas apenas que vejo em tudo a impressão da mudança, por isso meu coração está triste e pesado.” – Buda.
O QUE há na “mudança” que torna alguém triste, pois não é a mudança uma das evidências inseparáveis da própria vida? Não é então o fato, mas a espécie de mudança que produz tristeza, – a relva que murcha, a flor que desvanece, a folha que cai, o verão que parte, o dia que morre, e evidências de natureza semelhante naqueles que conhecemos e amamos.
Quando Buda escreveu o acima (e há uma boa dose de tristeza meditativa em seus escritos), o outono, segundo o grande ciclo das estações solares, avançava rapidamente no Oriente, e suas intuições iluminadas percebiam vividamente o inverno e a noite de descontentamento e estagnação que se assentavam sobre o mundo Oriental. As evidências de mudança tinham, consequentemente, para ele uma significação especialmente entristecedora.
Mas há condições de mudança que enchem alguém de júbilo e alegria, sendo evidências de vida que desponta e amor que se desdobra; assim os botões que intumescem no arbusto e na árvore, a relva que brota, a flor que se abre, o dia que rompe, o sol que nasce, a jovem vida que se desdobra, o crescimento e amadurecimento do intelecto e da afeição, -certamente estes proporcionam um mundo de esperança, de júbilo, e felicidade. Estas são as luzes do quadro, e a mudança deste ponto de vista tem uma significação inteiramente diferente.
Buda escreveu no outono de um ciclo mundial quando as evidências predominantes de mudança estavam na direção da decadência e da morte. Estando agora na primavera inicial de um grande ciclo, a mudança deveria ser associada em grande parte às coisas da vida e da esperança. Identifiquemo-la antes com o progresso do que com a decadência, e esforcemo-nos para que nossos pensamentos e ações sejam tais que assegurem elevação e aperfeiçoamento como fruto da “mudança.”
“Light and Shadow” (Luz e Sombra). The Esoteric: A Magazine of Advanced and Practical Esoteric Thought (O Esotérico: Uma Revista de Pensamento Esotérico Avançado e Prático), 1887. Boston, Massachusetts: Esoteric Publishing Company, v. 1, n. 1, June 21–July 22, 1887 (21 de junho–22 de julho de 1887).
Publicação original em domínio público. Tradução autoral.
Imagem: The Great Statue of Amida Buddha at Kamakura, Known as the Daibutsu, from the Priest’s Garden (1887). John La Farge (American, 1835-1910). Artvee.

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