Os Céus se repetem no Homem

[Extrato de um discurso de JOHN PULSFORD, perante a Sociedade de Cultura Esotérica, 1º de maio de 1887.]

Desde o nascimento da humanidade seus membros têm contemplado os céus com assombro e admiração, e têm sido possuídos por variados graus de percepção de que, ao menos de certo modo, o sol, e a lua, e as estrelas, brilhavam por sua causa. Eles de fato brilham por causa do homem; e com um efeito e para um propósito que transcendem até mesmo o sonho do mago; pois as incontáveis hostes de orbes radiantes, visíveis e invisíveis, repetem-se nos diminutos gânglios do cérebro e do sistema nervoso, encontrando expressão no homem como sóis em miniatura, emitindo seus raios em diminutas fibras, cujos muitos milhões combinados formam a estrutura nervosa com suas maravilhas inesgotáveis e capacidades quase ilimitadas.

Pode parecer um pensamento estupendo, contudo é verdadeiro; o homem não é meramente uma terra em miniatura, mas um epítome e imagem das hostes estreladas do céu, todas as quais mui maravilhosamente se repetem em sua estrutura nervosa e vital. Somos, então, não apenas maravilhosos mundos em movimento, mas temos os esplendores e harmonias do universo ativos ou latentes dentro de nós. Suas energias concentram-se no cérebro, e fluem para fora através de nosso pensamento, fala, e ação. “Como um homem pensa assim ele é.” O pensamento exala sua atmosfera como a fragrância da floresta ou o perfume de uma flor; contudo, ai! árvores venenosas no pensamento são tão possíveis quanto a reputada na natureza; assim a atmosfera que nossa vida desenvolve pode ser funesta e perniciosa, ou inspiradora da alma, benéfica. Portanto, cada um possui uma atmosfera característica tão verdadeiramente quanto um mundo, tão distintiva quanto a de um pinheiro ou de uma roseira, e imprimimos essa qualidade sobre tudo aquilo com que entramos em contato,- nas pessoas que encontramos, nos aposentos que habitamos, no ar que respiramos, na própria terra que pisamos. Em virtude dessa exalação imponderável o cão seguirá o rastro de seu dono, e o sensitivo lerá o pensamento e o caráter mais íntimos de alguém.

Portanto, viver de todo é ser uma força para o bem ou para o mal; pois, como sóis e mundos, não apenas temos uma qualidade e função específicas, mas, como eles, somos dispensadores de nossa qualidade e espécie. Isaías, falando das estrelas, diz, “Levantai ao alto os vossos olhos, e vede quem criou estas coisas que faz sair suas hostes por número; ele as chama a todas por nomes pela grandeza de seu poder.”

Chamar uma coisa pelo nome significa reconhecer ou definir sua função. Assim, Jacó deu a seus doze filhos nomes de acordo com suas respectivas naturezas. Nos tempos antigos os nomes indubitavelmente eram usados em referência à sua significação, e, mesmo de acordo com nossos dicionários de hoje, há um significado ligado a cada nome: contudo, como caímos no hábito de empregar nomes de maneira arbitrária ou ao acaso, não seria surpreendente se às pessoas frequentemente fossem dados nomes errados, e contudo pode ser apropriado e significativo mais frequentemente do que percebemos; mas no Apocalipse é-nos dito que aqueles que vencem hão de receber um novo nome; assim há uma oportunidade de ter os erros retificados, e, como as estrelas, receber um nome que se ajuste à nossa natureza ou verdadeira função na vida, pois, como já afirmado, não é o homem um universo em miniatura com as energias latentes e poderes luminosos de milhões de sóis e mundos?

Verdadeiramente diz o profeta, “O homem é assombrosa e maravilhosamente feito.” Pois a vida não é meramente comparável a um único mundo ou estrela, mas miríades de sóis atômicos estão ativos ou latentes no centro da vida, buscando sua oportunidade de jorrar através das fibras cerebrais ou irromper em fulgurante radiância nos centros vitais, fazendo a natureza expandir-se e vibrar com poder e propósito, e lançar seus mandatos através do sistema nervoso, fazendo os músculos e fibras fremirem e saltarem nessa jubilosa, estrelada presença, até que o próprio solo sob os pés se torne responsivo aos passos de seu senhor e mestre,- este homem coroado de estrelas. É plenamente tempo de chegarmos a compreender nossa maravilhosa estrutura estelar e natureza solar, assim maravilhosamente aliadas aos, e expressivas dos céus visíveis e invisíveis, um epítome e imagem de infinitamente mais do que contemplamos.

Os planetas, estrelas, e sóis da abóbada celeste são o poderoso sistema ganglionar nervovital do universo material; contudo estes, por assim dizer, são apenas mundos mortos quando comparados aos centros solares vivos e possibilidades imortais dos seres formados à imagem e semelhança de Deus; contudo há ordem e harmonia transcendentes mesmo na criação visível, e, em virtude de nossa herança solar e estelar interior, deveríamos tornar-nos seres luminosos mesmo no grau material da existência. Aquilo de que agora necessitamos é entrar em harmonia e unidade com o universo, tanto visível quanto invisível, até mesmo com a mente e o coração da própria Divindade.

O próprio ar e a terra deveriam tornar-se vivos por nossa presença; os ventos e ondas deveriam ser responsivos aos nossos comandos; os relâmpagos que ferem devem tornar-se o carro da vontade do homem; seu Braço ser dotado do tríplice poder das energias astrais, enquanto sua força combinada, como a dos heróis-deuses de Homero, deveria incorporar os poderes sétuplos do raio,- pois ele é um herdeiro, não apenas da terra, mas de hostes sobre hostes de sóis e mundos, e o que é mais, da “voz mansa e delicada” que governa o universo,- daquele que sustém a terra e as águas na concavidade de sua mão.

Tal é o homem,- um ser feito de sóis atômicos, cada átomo microscópico encerrando capacidades que contrabalançam mundos gigantes! E embora a terra imponha limitações à sua natureza exterior, dentro além dela estão as hostes visíveis e invisíveis do céu, então quem poderá medir o homem senão Aquele que nomeou as estrelas, e tem um nome prometido para todos e cada um dos que vencem sua individualidade terrena e o mundo?


LATHAM, John. “The Heavens Repeat Themselves in Man” (Os Céus se Repetem no Homem). The Esoteric: A Magazine of Advanced and Practical Esoteric Thought (O Esotérico: Uma Revista de Pensamento Esotérico Avançado e Prático), 1887. Boston, Massachusetts: Esoteric Publishing Company, v. 1, n. 1, June 21–July 22, 1887 (21 de junho–22 de julho de 1887).

Publicação original em domínio público. Tradução autoral.

Imagem: Design for The Magic Flute; The Hall of Stars in the Palace of the Queen of the Night, Act 1, Scene 6 (1847–49). Karl Friedrich Schinkel (German, 1781-1841)

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